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presídio

Um País em “ESTADO DE HISTERIA COLETIVA”.  Esse é o sentimento que percebo ao ver parte da sociedade disposta a varrer para debaixo do tapete um dos seus principais problemas sociais. Acredito que no Brasil acontece, nos dias de hoje, um fenômeno de maior participação da sociedade nos assuntos relacionados à coisa pública. Em análise, percebemos uma população mais crítica e graças à democracia em que vivemos, o fato de poder se expressar é uma conquista incomensurável. Porém, falta em muitas das pessoas, um ingrediente fundamental: para que num país democrático se possa verdadeiramente atingir objetivos, onde o  que se anseia são mudanças baseadas na ética, no social, no econômico, na moral,nos costumes e na política, é necessário que haja um interesse desse grupo em informações concretas da história, da sociologia, da filosofia ou seja , que estas pessoas possam embasar suas opiniões em fatos que verdadeiramente constroem uma sociedade e não se deixem manipular por uma mídia sensacionalista que tem em seus mais íntimos objetivos a simples exploração comercial da notícia, banalizando assuntos que necessitam de discussão profunda da sociedade afim de não cometer injustiças e o caos social.

Num País onde a educação com fins de informação social mais profunda não faz parte dos planos tanto do governo, quanto não desperta também, interesse da população, dificilmente chegaremos a uma PÁTRIA CULTA. É diferente em nossa discussão falarmos em uma proposta de PÁTRIA EDUCADORA , se nessa educação, princípios básico da cidadania não são matéria obrigatória tanto no ensino infantil, ensino básico e ensino fundamental.

Hoje graças a internet, milhões de pessoa têm acesso a informação, isso é incontestável. Mas a grande questão é: Qual a qualidade dessa informação? O quanto manipulador é o conteúdo publicado? Qual o embasamento utilizado na propagação do conteúdo a se discutir? A Internet é verdadeiramente o veículo de propagação do senso comum sensacionalista e que banaliza assuntos de relevância social, através discussões vazias e tendenciosas e que consegue adesão de opiniões sem conteúdo, simplesmente pelo fato daquelas pessoas aceitarem colocações e discursos daquilo que vêem em matérias, com características publicitárias, aceitando a opinião construída daquelas imagens sem sequer procurar saber o que originou aquela situação.

O E.C.A. ( Estatuto da Criança e do Adolescente ) agoniza por uma discussão de fundamental importância social. Assim como o Estatuto do Desarmamento. Não acredito que os problemas sociais de violência serão resolvidos com a diminuição da maioridade penal e muito menos ainda, armando o “cidadão de bem”, dando-lhe o direito de porte de arma nas ruas e ainda aumentando seu arsenal domiciliar.

O problema da violência nos grandes centros urbanos, nos bairros e favelas no Brasil à de dentro está diretamente relacionado com a falta de oportunidade de trabalho e de dignidade. O Estado é omisso nas principais obrigatoriedades legais relacionadas à dignidade da pessoa humana, preferindo investir numa cultura assistencialista ao invés de incentivar o desenvolvimento social através da educação de auto-sustentação econômica e coletiva. Como podemos falar da diminuição da maioridade penal, se não existe qualquer política a ser desenvolvida em relação ao decadente sistema carcerário que nos envergonha. Armar o pseudo cidadão de bem e colocar menores infratores no cárcere comum à adultos é como jogar a sujeira para debaixo do tapete. Os detentos desse país , tanto os chamados de sócio-educativos ( para menores ) quanto presídios , são verdadeiros “lixões humanos”. Isso sim é necessário ser discutido! A maneira que jogamos no lixo os infratores em nosso país é que deve ser discutido exaustivamente e em busca de solucionar verdadeiramente aquilo que originou a necessidade daquele cidadão em cometer atos ilícitos que feriram a sociedade. Será que a ferida que ele causou à sociedade não foi uma resposta ao ferimento causado pela sociedade naquele indivíduo?

O histerismo coletivo de busca por um país menos corrupto desperta na sociedade mais abastada, um sentimento de justiça social egoísta, que pela falta de conhecimento daquilo que dá a origem aos fatos sociais, prefere ignorar, que existem camadas da sociedade muito mais atingidas e agredidas em seus direitos fundamentais pela corrupção. Da mesma maneira que essa sociedade egoísta, ignora o destino dos lixões que ela produz no dia-a-dia , ignora que existem pessoas humanas sendo destroçadas em sua dignidade sem saneamento, sem saúde, sem moradia, sem dinheiro, sem oportunidades. Essas pessoas se rebelam em busca da sobrevivência descontentes com as injustiças que esmagam suas vidas. Esse é o ponto que deve ser discutido e melhorado e não armar a sociedade como se armas fossem vassouras e menores infratores o lixo da sociedade.

viaMarcello Behring: ECA & DESARMAMENTO: Discutindo um RETROCESSO social..

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