Home » Notícias » PREFEITURAS DO RIO DE JANEIRO – COM OBRAS PARADAS, CENÁRIO É DE ABANDONO – O GLOBO IMPRESSO

Facebooktwittergoogle_plusredditpinterestlinkedinmail

Obras inacabadasPela metade. Em Japeri, rua tem trecho asfaltado, mas termina em barro, onde moradores dizem nadar quando chove

Em Sapucaia, reforma de posto médico, que seria erguido com verbas do Ministério da Saúde, foi paralisada sem qualquer explicação

Postos de saúde que não saem do papel e ruas com asfalto pela metade são rotina de cidades em que obras são paralisadas sem explicação. A placa evidencia o abandono do imóvel onde deveria funcionar a única Unidade Básica de Saúde de Vila do Pião, em Sapucaia, na região Centro-Sul Fluminense. Prevista para ser entregue em janeiro de 2014, a reforma e a ampliação do posto médico, iniciadas um ano antes, não saíram do papel, ou melhor, do cartaz. Orçada em R$ 104.808,52, a obra foi paralisada ainda no primeiro semestre de 2013, embora o Portal da Transparência informe que o valor do projeto, que será custeado em parte pelo Ministério da Saúde, já foi repassado pela União. Segundo moradores, o trabalho foi interrompido após a prefeitura ter instalado provisoriamente a unidade de saúde em três lojas que teriam sido alugadas do pai do vereador Jackson Carneiro (PTB).

Ontem, por telefone, a secretária de Comunicação do município confirmou a informação. Maria José Bonfim Gomes, contudo, não esclareceu se o contrato de aluguel foi precedido de licitação. Ela também não respondeu ao e-mail que pedia detalhes sobre a paralisação da obra na Vila do Pião e das três ações que tramitam na Justiça, nas quais o prefeito Anderson Zanon (PSD) é acusado de suposto dano ao erário e improbidade administrativa. Num dos processos, ele figura como réu por pagar, com recursos do município, a contratação de um táxi para servir de ambulância a moradores. O GLOBO deixou dois recados na secretária eletrônica do vereador Jackson, que não retornou.

— O prefeito não dá satisfação à população. Tentei fazer um abaixo-assinado para cobrar a conclusão da obra do posto, mas os moradores têm medo de assinar — diz a comerciante Therezinha Cunha.

No posto de saúde provisório, moradores têm dificuldade de encontrar atendimento e, sobretudo, remédios. É o caso do agricultor aposentado Eledenai de Oliveira, que há seis meses tenta em vão conseguir medicamentos para tratamento do coração.

No outro extremo do estado, em Japeri, na Baixada Fluminense, moradores do bairro Jardim Transmontano têm asfalto só num trecho de Rua Ivan de Azevedo, que dá acesso ao novo viaduto, que liga Japeri ao distrito de Engenheiro Pedreira. Do alto da construção, a pavimentação e a rua de barro contrastam:

— Aqui, quando chove, a água chega a mais de um metro de altura, dá até para nadar — diz o pedreiro José da Purificação.

Segundo a assessoria da prefeitura, a Rua Ivan de Azevedo será contemplada num pacote de 43 obras, totalizando investimento de R$ 30 milhões do próprio município.

Em Maricá, moradores do loteamento Marinelândia, em Cordeirinho, quando viram as paredes do primeiro posto de saúde serem erguidas em tão pouco tempo, tiveram a certeza de que a promessa de entregar uma unidade de saúde na região, feita pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), e presidente do Diretório Regional do PT, era para valer. As obras começaram no final de 2011, pararam em 2012, foram retomadas no início de 2014 e suspensas no fim do mesmo ano.

— São obras com recursos federais e contrapartida municipal. Tivemos que colocar mais recursos na contrapartida, porque as verbas federais são insuficientes para o tamanho dos projetos — alega Quaquá. — Mas a paralisação ocorreu porque as empresas desistiram da obra. Como a lei prevê prazos e procedimentos licitatórios, há atrasos.

PRESIDENTE REGIONAL DO PT RECLAMA DA UNIÃO

Quaquá se queixa ainda de o governo federal — de seu partido — estar atrasando os repasses. Segundo a prefeitura, a obra custa R$ 200 mil, mas a União só repassou R$ 20 mil até agora. O município pagou R$ 101 mil.

— Cada obra com recursos federais é uma corrida de dois mil metros com barreiras. As barreiras são a Caixa Econômica, o fluxo de caixa do governo federal e a burocracia da legislação. Nós temos um volume imenso de obras no município, mas as que têm recursos federais são de lascar.

Condenado por autopromoção, em processo de improbidade administrativa (um dos nove a que responde), Quaquá é acusado ainda de não fiscalizar corretamente o serviço prestado pela empresa Engebio Engenharia de Meio Ambiente, com a qual o município fechou contratos que somam R$ 10 milhões, para pavimentação. Os moradores da região reclamam:

— A única coisa que a prefeitura fez aqui foi colocar placas ao longo da RJ-106 para avisar que a manutenção da estrada é de responsabilidade do estado, e trocou o nome da rodovia — criticou o comerciante Jorge Fernandes.

Por e- mail, a assessoria de Quaquá diz ser “normal que os gestores públicos se submetam a controle judicial ” e lembra que “ainda não há decisão definitiva em nenhuma ação”.

Em Campos, com recursos federais e municipais, as obras de construção da Vila Olímpica do condomínio Alphaville, cercadas por tapumes de zinco, estão paralisadas e já com as estruturas de ferro enferrujadas. Parados também estão os serviços de pavimentação, urbanização e drenagem de 11 vias do conjunto. Uma placa, com dados sobre a implantação da vila olímpica, desapareceu. A outra, sobre as demais intervenções, está apagada, mas informa que as obras custam R$ 10,2 milhões.

— Colocaram o teto da quadra e há alguns meses só vejo seguranças. É uma pena que a pouco mais de um ano das Olimpíadas interrompam a construção de um espaço para estimular o esporte — lamenta o policial Luiz Fernando Figueiredo, que mora no condomínio.

A ampliação do Hospital São José, no distrito de Goytacazes, iniciada em 2012, está em ritmo lento. A prefeita Rosinha Matheus (PR) também está deixando o Museu Olavo Cardoso, tombado e doado ao município, se deteriorar. Parte do teto da varanda desabou, há rachaduras nas paredes externas, madeiras apodrecidas e escoras apoiando a parte superior.

Rosinha responde a pelo menos três ações por improbidade administrativa. Numa delas, foi condenada, no fim de 2013, pela 14ª Vara de Fazenda Pública (cabe recurso) por ato praticado quando foi governadora do Rio, por ter firmado contrato sem licitação com a Fundação Euclides da Cunha e não ter provado que as 254 salas de informática previstas foram montadas. A assessoria da prefeitura não respondeu ao GLOBO.

ScreenShot001Fonte: Jornal O Globo – Impresso

 

Facebooktwittergoogle_plusredditpinterestlinkedinmail


Categorias