Home » CASO DE POLÍCIA » Estado descarta Guillain-Barré em homem que percorreu 4 hospitais na Região dos Lagos RJ

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Secretaria de Saúde, que atende a UPA, também descartou chikungunya. Márcio Conceição morreu no dia 18 após peregrinação de uma semana.

A Secretaria de Saúde do Estado do Rio informou nesta quinta-feira (24) que o diagnóstico da morte de Márcio da Costa Conceição não é de chikungunya ou síndrome de Guillain-Barré. Márcio, que tinha 41 anos, morreu no último dia 18 após passar por hospitais de quatro cidades da Região dos Lagos do Rio em um período de sete dias.

Segundo a nota da secretaria, Márcio deu entrada na unidade na terça-feira (15) às 22h13, com diarreia, dificuldade para andar e edemas nas pernas há cinco dias.

“O paciente realizou exames laboratoriais e tomografia, foi medicado e avaliado pela equipe de nefrologia do Hospital Estadual Roberto Chabo (HERC), permanecendo internado quatro dias. Ele recebeu todos os cuidados necessários para o quadro clínico”, informou a secretaria.

Por acreditar que o marido foi vítima da síndrome de Guillain-barré, Fernanda Pimentel tem feito uma campanha para alertar sobre os sintomas da doença. Na certidão de óbito de Márcio, a constatação é de infecção generalizada.

“A minha reclamação é o diagnóstico e infraestrutura para atender estes casos. Eles não sabem lidar com a síndrome. É muito triste”, contou Fernanda, que também buscou atendimento em Búzios, Cabo Frio e  Arraial. “Eu ia com amigos e parentes, ia tentando um lugar melhor. Até que me dessem um diagnóstico, para a gente tratar”, explicou.

Nos últimos dias, segundo Fernanda, o marido estava inchado, com muitas dores ao ser tocado e já sem conseguir se movimentar, precisando de uma cadeira de rodas.

“Na UPA me disseram que não era dengue, que era uma bacteria. Depois que soube pelas enfermeiras que poderia ser Guillain-barré”, contou a mulher.

Peregrinação
Márcio e Fernanda foram ao primeiro hospital, em Armação dos Búzios, no dia 11 de março, onde, segundo a mulher, os médicos não constataram nada. No dia seguinte, o casal foi ao Pronto-Socorro do Hospital Municipal deArraial do Cabo.

“Fizeram exame de sangue e falaram ‘oh, tá com uma suspeita de dengue’. Suspeita, nenhum diagnóstico. Tomou os medicamentos, soro e casa novamente”.

Em nota, a Prefeitura de Arraial do Cabo confirmou os sintomas da dengue. Disse que o paciente passou por hidratação e foi pedido que, se os sintomas continuassem, que era para ele voltar em 48 horas, o que não aconteceu.

No dia 14, Márcio, que não conseguia mais andar e estava em uma cadeira de rodas, foi levado ao Hospital do Jardim Esperança, em Cabo Frio. Lá, de acordo com a viúva, médicos disseram que era febre Chikungunya. Mesmo assim, Márcio foi liberado da unidade.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Cabo Frioinformou que todas as unidades de saúde do município seguem o protocolo de atendimento para suspeita de Zika, Dengue, Chikungunya e Guillan Barre, orientadas pela Vigilância em Saúde. A secretaria informou ainda que irá abrir uma sindicância administrativa para apurar como foi realizado o atendimento ao paciente.

Estágio final
Em uma última tentativa, o casal procurou o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de São Pedro da Aldeia no dia 15.

“Depois de tudo, os rins pararam, ele ficou com muita dificuldade de respirar e começou a ficar desorientado. Falaram que era glicose alta e só depois disso que pediram internação. Isso que me chatiou, porque se tivessem diagnosticado ele seria internado no primeiro dia”, contou Fernanda.

Com o agravamento do quadro, Márcio chegou a ser levado para o Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, para uma tomografia. Ao voltar, a UPA começou a pedir a tranferência para uma unidade especializada, mas ele foi perdendo a consciência e, por fim, em coma, morreu no dia 17.

Informação
Compartilhando informações em redes sociais e veículos de comunicação locais, Fernanda diz que busca pelo esclarecimento da situação e procura informar outras pessoas sobre a síndrome.

“Eu não tinha informação. E acredito que tenha muita gente que não tenha essa informação. Tá todo mundo abafando muito e eu não entendo o porquê. Acho que informação é uma forma de evitar a morte”, finalizou.

Fonte: G1

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