Home » Notícias » Educação » Mais três escolas estaduais são ocupadas no Rio; já são cinco colégios em protesto

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O número de escolas estaduais ocupadas por alunos em protesto subiu para cinco. Na manhã desta segunda-feira, estudantes dos colégios estaduais Visconde de Cairu, no Méier, Heitor Lira, na Penha, ambos na Zona Norte do Rio, e o Euclydes Paulo da Silva, em Maricá, Região Metropolitana do estado aderiram ao movimento. Também há uma movimentação nesse sentido no Ciep 460 Thiophyla Bragança, em Araruama, Região dos Lagos, mas a ocupação ainda não está confirmada.

A informação foi confirmada pela Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (Anel), entidade que organiza alunos e está auxiliando os secundaristas interessados em ocupar os colégios como forma de protesto. O Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, foi a primeira unidade a ser ocupada, no dia 21 de março. Uma semana depois, o Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade, na Penha, também aderiu ao movimento.

Os novos colégios ocupados na manhã desta segunda-feira ainda não apresentaram pautas de reivindicação. As outras duas escolas organizaram juntas, na última semana, uma pauta de reivindicações. Ela pede a abolição do Saerj (prova que mede o desempenho das unidades), a aboliação do currículo mínimo, a gestão democrática com a participação da comunidade escolar, a abolição de metas, a volta dos porteiros, eleições dos diretores, criação de uma grade de disciplinas eletivas, fim da superlotação e livre organização do Grêmio Estudantil.

Em nota, a Secretaria estadual de Educação (Seeduc) informou que “não vê nos líderes do movimento intenção em desocupar as unidades”. A pasta afirmou que “diante da intransigência, a Seeduc apela aos pais para que conversem com seus filhos, uma vez que são os estudantes sem aulas os mais prejudicados”.

O secretário estadual de Educação, Antonio Neto, porém, afirmou, na última semana, que as pautas apresentadas são “questões do sindicato” e que só vai ceder por uma “pauta real de alunos”. Neto ainda defendeu que há uma raiz política de partidos políticos “de esquerda e extrema-esquerda” no movimento.

— Dessa pauta do sindicato, não vou discutir. Quero uma pauta real dos alunos, da escola, quais são os problemas da escola. Eles já me falaram que não tinha Grêmio, não tinha conselho.

A organização da primeira escola ocupada se pronunciou sobre o apoio externo. Segundo o grupo, “as decisões são tomadas entre os alunos da escola nas assembleias e transmitidas entre os mesmos”. Além disso, eles também afirmam que não são “financiados por partidos políticos”, nem “manipulados por eles”: “Esse discurso despreza nossa capacidade de pensar e nos organizar”, defendeu-se, através da página Ocupa Mendes.

O sociólogo e professor da Uerj Dario de Sousa lembra que os estudantes não tem acesso a mesa de negociação.

— Eu estive presente na votação do orçamento no estado e não foi dado o menor espaço para qualquer movimento. Motivo de protesto não falta para esses meninos estao acompanhando a degração do espaço, o clima ruim dos professores, a perda de qualidade no espaço fisico e de serviço. Ninguém testemunha melhor do que os estudantes — afirmou o cientista social.

Já o educador André Gravatá, que acompanhou os protestos de São Paulo, afirmou que o movimento pelo país (em Goiás, 28 escolas foram ocupadas) expressa um “desconforto” a respeito da qualidade do ensino.

— Sempre sugeri que as pessoas visitem uma ocupação, converssem e entendem que tipo de ação está acontecendo. Sinto que é um elemento de manifestação que é pedagogico. Ensina os estudantes, os professores envolvidos e também a comunidade — afirmou.

Dornelles veta reintegração de posse

Antonio Neto declarou na última segunda-feira que pediria a reintegração de posse do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha. A Secretaria estadual de Educação (Seeduc) chegou a fazer o pedido para a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ajuizar a ação. No mesmo dia, porém, o vice-governador Francisco Dornelles assumiu o posto após Luiz Fernando Pezão se afastar por 30 dias para se tratar de um linfoma. O novo chefe, no entanto, pediu — como informou a coluna “Extra, Extra”, da jornalista Berenice Seara — para o secretário não envolver a Justiça e a polícia. A ordem dada por Dornelles a Antônio Neto foi a conseguir desocupação das escolas na base da conversa.

Sepe de Maricá apoia manifestação

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) de Maricá publicou no Facebook uma nota de apoio à manifestação dos estudantes. Confira:

“O C.E. Euclydes Paulo da Silva localizado em São José do Imbasahy em Maricá acaba de ser ocupado pelos estudantes. O colégio possui estruturas em estado precário de conservação e sempre foi amplamente abandonado pela Seeduc e a regional Baixadas Litorâneas. Nesse momento, estudantes dialogam com representantes da SEEDUC e em breve divulgarão sua pauta de reivindicações e lista de suprimentos necessário para dar continuidade ao processo”.

Confira a nota completa da secretaria

A Secretaria de Estado de Educação informa que o secretário Antonio Neto já recebeu os alunos de escolas invadidas (CE Prefeito Mendes de Moraes e CE Gomes Freire de Andrade) e já mostrou em quais pontos pode avançar.

A Seeduc ressalta, ainda, que subsecretárias das áreas de Gestão de Ensino e Gestão de Pessoas estiveram em escolas invadidas. A secretaria, no entanto, não vê nos líderes do movimento intenção em desocupar as unidades, pois há envolvidos que sequer fazem parte da comunidade escolar.

Diante da intransigência, a Seeduc apela aos pais para que conversem com seus filhos, uma vez que são os estudantes sem aulas os mais prejudicados.

Fonte: EXTRA

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