Home » Notícias » Brasil » Número de menores apreendidos cresce na Região dos Lagos, 486 foram apreendidos entre janeiro e outubro de 2015.

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menorAumento no estado do Rio foi de 300% em cinco anos, diz o ISP. Diretor do Criaad de Cabo Frio aponta dificuldade na reinserção social.

“Eu tava traficando, fui na cabeça dos outros, acabei que ‘rodei’. Fiquei dois meses no Rio e vou fazer 10 meses no dia 10 agora aqui no Criaad”. O relato de um menino de 13 anos, interno do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criaad) de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, exemplifica uma triste realidade: um relatório do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro apontou que o envolvimento de adolescentes com o crime aumentou 300% no período de 5 anos em todo o estado.

Na Região dos Lagos, 486 foram apreendidos entre janeiro e outubro de 2015. O Criaad de Cabo Frio atende 27 jovens infratores da Baixada Litorânea e da Região Metropolitana do Estado. De acordo com um menor apreendido na unidade por envolvimento com tráfico de drogas, a lembrança da última vez que esteve na escola já não vêm à mente: “Não sei, não sei não”.

De acordo com o dossiê do ISP, as autuações de adolescentes com idades entre 12 e 17 anos por porte e venda de entorpecentes cresceu 300% em cinco anos. Em 2010, foram 10.732 jovens autuados; já em 2014, 37.073 foram apreendidos pelo mesmo motivo.

Marcellus Edgren, diretor do Criaad de Cabo Frio, aponta a falta de estrutura familiar e a dificuldade financeira como principais motivos para a entrada na criminalidade: “Normalmente essas famílias são sem estrutura alguma, a maior parte. E essas crianças precisam de um acompanhamento maior da família. Na escola, essa família, normalmente, é ausente, e aí o tráfico de drogas é muito sedutor e acaba abraçando esses adolescentes, essas crianças, que normalmente vivem numa situação precária”.

Na Região dos Lagos, o número de apreensões teve um pequeno aumento entre janeiro e outubro em relação ao mesmo período de 2014: foram registrados 20 flagrantes a mais. O diretor do Criaad pontua que o desafio para o centro é a reinserção social dos menores.

“Quando o adolescente chega, são dadas todas as oportunidades pra esse adolescente. Aquele adolescente que realmente quer mudar, ele vai mudar. Então depende muito dessas famílias, a família tem que estar presente. […] O pai que é ausente na escola, ele vai ter que ser presente no sistema socioeducativo”.

Os menores apontam que, ao sair do centro, buscarão novas oportunidades. Um deles retomará os estudos: “Vou continuar estudando, continuar trabalhando pra ver se tem uma vida melhor. Ver se tem um futuro melhor”.

Já outro interno usará o esporte como ferramenta de inserção na sociedade: “Pedi minha tia pra me botar na escola de futebol. E vai me botar pra escola agora”. O menino aponta, ainda, que não vai voltar a se relacionar com o grupo social do tráfico: “Se eu andar, vou voltar pra cá de novo. Ou até pior. Eu vou ficar dentro de casa e escola, dentro de casa e escola”.

Fonte: G1

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