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Noely

Noely Ginger, paciente que “ocupou” hoje a secretaria de saúde, só se retirando após receber seus remédios, conforme ordem judicial. Foto: AraruTV

EDITORIAL – REPÓRTER DIGITAL 21

Desses poucos meses em que voltamos a produzir a AraruTV até agora, assistimos muitas histórias que dariam um livro, ou mesmo um filme. Em comum entre elas, um fato perturbador: a participação da administração municipal de Araruama no papel de vilã.

Voltemos ao começo da história… Eu percebi desde o início da vida pública de Miguel Jeovani que, pelo (mau) gosto dele por muitas das pessoas que o cercavam (e cercam), a sua carreira iria se tornar ‘complicada’. Sua vontade de ser “alguém na política” era clara, mas parecia muito mais um capricho de quem tem dinheiro para gastar na tentativa de mudar de status, do que um dom. E isso é a matéria-prima para os aproveitadores.

Mesmo assim, votei nele para deputado, esperando que ele ‘se encontrasse’ na vida parlamentar, entre palácios e políticos-celebridades de todos os lugares. Ainda não era o suficiente. Veio depois a campanha para prefeito. Sofrida, suja e desgastante para todos os candidatos, uns mais, outros menos. Miguel Jeovani ganhou a eleição e perdeu a paz.

Prometendo “saúde da água pro vinho em um mês”, “transporte alternativo legalizado”, “educação de primeiro mundo”, “uma nova Araruama em 100 dias”, entre outros bordões, ele criou uma expectativa baseada em um marketing de terceira, que na (falta de) visão dele iria funcionar como uma receita de bolo.
Essa estratégia parece ter sido feita por gente que enxergava nele a oportunidade de dar uma ‘guinada na carreira’. Mas, garanto que não foi por falta de aviso que a coisa não deu certo. Todo mundo está vendo o que aconteceu.

Hoje, acompanhamos a Noely, uma paciente crônica que depende de medicamentos que devem ser fornecidos pelo município, segundo a lei. A cada mês, ela se dirige à secretaria de Saúde para pegar, ou melhor, tentar receber os remédios.

Por várias vezes ela ficou sem eles, pois a secretaria simplesmente informava que “não tinha dinheiro para comprar”. Simples, assim. Ela procurou a Justiça, que expediu ordem para que a medicação não deixe de ser fornecida pela prefeitura em nenhuma hipótese. E, novamente, a frase: “não tem dinheiro”.

Dessa vez, Noely resolveu tomar as rédeas do descaso. Se dirigiu até a sala do setor jurídico da secretaria de Saúde e “ocupou” o local (tá na moda, agora…). Junto com seu filho, resolveu que só sairia dali com os remédios, como determina a lei (aquela mesma, que os deputados fazem, e os prefeitos também tem que cumprir). Veio equipe da Guarda Civil, funcionários da SESAU, mas ela não arredou pé. “Só saio com meus remédios, e pronto”, ela afirmava. Como os estudantes paulistas, que só assim tiveram seus posicionamentos ouvidos e atendidos, ela se instalou no local. Fomos com nossa equipe até a Delegacia, Fórum, Ministério Público e Defensoria Pública, para apresentar o caso da paciente e pedir orientação. Descobrimos que:

1) ela é um caso apenas entre outros tantos, que se transformam em pilhas de pastas e aguardam a ação da Justiça e o empurrão dos advogados,

2) muitos pacientes não vivem para ver o final desejado,

3) ficar doente e depender disso tudo ao mesmo tempo é muito sofrimento para uma pessoa só.

Ninguém adoece por opção e nem escolhe o momento. É surreal ver uma administração pública gastar R$ 159 mil alugando uma árvore de Natal que custa R$ 93 mil se fosse comprada, pagar R$ 250 mil para comerciais de TV propagando uma cidade que só existe mesmo nos nossos sonhos, e deixar faltar remédios que permitem que cidadãos continuem sobrevivendo, faltar TUDO em um hospital-maternidade como o São Silvestre, que fechou as portas para novos atendimentos hoje por total falta de condições, e até mesmo um simples comprimido de dipirona no UPA municipal.

Quando eu acho que chegamos no fundo do poço, me surpreendo. Prefeito, secretários, se perceberem que o que estamos falando é verdade, pedimos que melhorem (é isso que esperamos), ou desistam de seus cargos. Nada disso vai valer a pena no futuro, nem para vocês, muito menos para a população de Araruama.

Ah, depois de desaforos, estresses, e mimimis ouvidos durante todo o dia, a Noely recebeu os seus medicamentos às 21h. Pagos do próprio bolso pela secretária de Saúde, que com certeza não fez isso com alegria (e se quisesse fazer filantropia de verdade, procuraria outra área profissional na qual possa ter mais conhecimento e habilidade, para não ficar se desgastando tanto). Assista à matéria completa amanhã no Repórter Digital AraruTV.

Marcos Serpa

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